PF investiga fraude na licitação do transporte escolar de Duque de Caxias; contratos passam de R$ 60 milhões
17/09/2026
(Foto: Reprodução) PF investiga fraude na licitação do transporte escolar de Caxias
A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (17) a Operação Faixa Amarela, que investiga uma suposta fraude na licitação do transporte escolar da Prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com possível desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Os contratos passam de R$ 60 milhões.
Agentes saíram para cumprir 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Duque de Caxias.
A investigação teve início com os elementos informativos coletados após análise de aparelho celular apreendido na Operação Anáfora, que teve fases em setembro de 2022 e em junho deste ano.
“As possíveis fraudes iniciaram-se em 2020 e foram sucessivamente renovadas, gerando contratos milionários. Somente nos 3 primeiros anos, a quantia superou R$ 62 milhões”, informou a PF.
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Garagem alvo da operação em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro
Divulgação/PF
“A investigação aponta para a possível atuação coordenada entre empresários, funcionários públicos e terceiros, com indícios de superfaturamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas, além da ocultação da origem ilícita dos valores obtidos com as fraudes perpetradas”, explicou.
Os fatos em apuração podem caracterizar os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro.
O que diz a Prefeitura de Duque de Caxias
“A Prefeitura de Duque de Caxias, por intermédio da Procuradoria-Geral do Município, informa que nenhum órgão municipal ou servidor público em exercício de suas funções foi alvo de qualquer operação policial nesta data, e reafirma que todos os contratos realizados pela municipalidade nos últimos anos foram devidamente licitados previamente e reiteradamente auditados pelos tribunais de contas e demais órgãos de controle, não havendo apontamento de indícios no sentido do que foi divulgado pela mídia nesta manhã, que sequer informa quais empresas são envolvidas. A Prefeitura reitera que se encontra a disposição das autoridades para prestação de todas as informações que se fizerem necessárias à elucidação das investigações em curso.”
A Operação Anáfora
A Operação Anáfora combateu a lavagem de dinheiro oriunda do desvio de recursos públicos da Prefeitura de Duque de Caxias. A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigavam um suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Caxias — o contrato e aditivos ultrapassaram R$ 563,5 milhões em pouco mais de 2 anos.
De acordo com as investigações, a cooperativa é de uma quadrilha que desvia dinheiro público há anos, principalmente na área da saúde.
Na 1ª etapa, há 4 anos, Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e então candidato a vice-governador do RJ na chapa de Cláudio Castro (PL), foi um dos alvos dos 27 mandados de busca e apreensão.
Na 2ª fase, em junho, a PF cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, sendo 10 expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros 4 expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) — alguns dos envolvidos tinham foro privilegiado.
Em uma empresa ligada ao principal alvo da investigação, em Xerém, distrito de Duque de Caxias, agentes encontraram R$ 450 mil escondidos sob um sofá.
Reis declarou que “sempre colaborou com as investigações” e que “nada foi encontrado que desabone sua conduta”.